Em quase todas as famílias, sobretudo as mais numerosas, há tradições ou hábitos que ficam. Um deles é (era?) o passar roupa de irmãos para irmãos, de primos para primos. São “rodas da roupa”, a verdadeira economia circular, em que as peças que já não (nos) servem passam para as mãos de quem ainda as pode usar.
No nosso país, este era um hábito de muitas famílias, sobretudo nos anos 80 em que a situação financeira não era a melhor. Casacos de inverno, sobretudo, eram peça cobiçada (por ser cara) e que passava de criança para criança, até alguém decidir que “já não dava mais”.
Hoje em dia há muitas pessoas que estão a recuperar esta tradição. Grupos para troca de roupa usada surgem no Facebook ou WhatsApp, em ações concretas de sensibilização ambiental pela reutilização de peças de vestuário, acessórios ou calçado.
Uma delas, organizada pela Carla Leite, reúne num único grupo mais de 50 famílias da zona de Aveiro. No grupo, que se articula unicamente online com trocas de mensagens, oferece-se a roupa que já não serve aos filhos mas que pode servir a outra crianças. E porquê “Roda da Roupa”? Para que as pessoas saibam que ali nada é vendido ou comprado. Tudo é rodado num espaço de é de confiança, com a segurança que as peças voltam à origem, se necessário.